Mostrando postagens com marcador copa do mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador copa do mundo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Projeto do “Panterão” é devolvido ao autor para passar por adequações

Para comissão, proposição gera custos ao município. Rogério Campos (PSC), criador da medida, não vê problemas com a proposta que cria linha de ônibus exclusiva para mulheres


A Comissão de Segurança Pública e Direitos Humanos da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) decidiu devolver ao autor o polêmico projeto que quer destinar 20% da frota de ônibus para as mulheres durante o horário de pico. A argumentação é que a medida iria gerar despesas ao município considerando que não foi “indicada a fonte específica necessária para custeio da proposta”, como justificou o relator Dirceu Moreira (PSL).
O vereador Rogério Campos (PSC), criador da medida, não aprovou a devolução. “Como já expliquei a ele [Dirceu Moreira], não vai existir um custo adicional. Parece que ele não leu o projeto”, rebateu Campos. Segundo ele, a Urbs repassa uma verba mensal às empresas para que elas façam a manutenção dos ônibus e que esse valor poderia ser usado para pintar os veículos com a cor diferenciada sugerida por ele, cor-de-rosa – daí o nome “panterão”, em alusão ao personagem “Pantera Cor-de-Rosa”.
“Além disso, os ônibus que levariam as mulheres seriam da frota reserva que todas as garagens têm. Se você for à garagem de uma empresa fora do horário de pico, vai ver ônibus parados lá. De acordo com meu projeto, são esses que vão ser usados”, justifica. Sendo assim, o parlamentar pretende conversar com o colega de Casa em relação à devolução da proposta, já que ela “não tem problemas”.
Perseguição
Desde que foi apresentadaem maio deste ano, a proposta vem sendo duramente criticado por grupos que lutam pela igualdade de gênero. Na visão de Rogério Campos, essas críticas são feitas por pessoas que têm uma orientação político-partidária. “Eles dizem que o projeto não é o caminho, mas não apresentam outra alternativa. Quem critica está indo para o lado partidário e não para o humano”, comenta.
O vereador compreende que sua proposição não vai resolver o problema, mas que é necessário criar políticas públicas que dão opção de fuga às mulheres. “Não tenho dúvida que a base de tudo é a educação, mas tenho certeza que um homem que abusa das mulheres no ônibus não vai se comover com um panfleto educacional”, argumenta. “Eu quero ter o prazer de eliminar a linha exclusiva no futuro, mas sei que isso vai demorar”, acrescenta ele, que diz que, se a proposta tivesse sido apresentada por outro parlamentar, não estaria sendo tão criticada.

A história do movimento estudantil em Curitiba se perde e abandonado, casarão da UPE vira mocó

Mesmo lacrado, prédio vem sendo invadido por usuários de drogas. Reforma prevê uso compartilhado do espaço entre a Fundação Cultural de Curitiba e a entidade estudantil


O casarão amarelo perece entre pichações, mato alto e sujeira, em pleno bairro São Francisco, em Curitiba. Datado de 1918, o prédio histórico – que se notabilizou por ter sediado a União Paranaense dos Estudantes (UPE) – está lacrado desde janeiro deste ano. Apesar disso, as grades e tapumes não têm sido capazes de barrar moradores de rua e usuários de drogas, que invadem o terreno na calada da noite. Enquanto aguarda reformas, o espaço virou um “mocó” – para desespero dos vizinhos.
No início do ano, o casarão passou a ser administrado pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC), que desenvolveu um projeto para usá-lo de forma compartilhada com a UPE. Além de servir aos estudantes, a edificação funcionaria como um centro cultural, voltado à juventude. Para isso, seria necessária uma série de reparos e adequações, que ainda não saíram do papel.
Enquanto isso, mesmo vedado, os “visitantes” têm aparecido e deixado sua marca. Latas de cerveja e garrafas quebradas, papéis, restos de comida e até um colchonete improvisado denotam as invasões. As vidraças quebradas, paredes sujas e pichadas, nas quais o reboco começa a cair, não combinam em nada com os traços arquitetônicos refinados, em art nouveau.
O caseiro João Romano – que, desde 1982, mora num anexo aos fundos – não consegue impedir as entranças noturnas. “Todo dia, às dez da noite, eu dou uma passada aqui pela frente. Mas depois que entro na minha casinha e me tranco, eles entram. Só vejo a sujeira no dia seguinte”, disse.
Quem mais sofre, são os vizinhos. No edifício ao lado, os moradores relatam arrombamento de carros, arruaças e uso constante de drogas. Atribuem os casos ao abandono do Casarão. “Sem falar na sujeira, que é um incômodo para nós. Pela janela dos apartamentos, dá pra ver o entra e sai a noite toda”, contou uma moradora, que pediu para não ser identificada.
Reforma
O cronograma inicial previa a conclusão das obras para o fim de 2013, mas os trabalhos sequer começaram. Segundo a FCC, os projetos arquitetônico, elétrico e hidráulico devem ser concluídos em dois meses. Em seguida, a prefeitura deve fazer uma licitação para executar as obras. A expectativa da Fundação e da UPE é que os reparos fiquem prontos em setembro do ano que vem, quando o espaço deve voltar a ser utilizado.
“Queremos fazer a reinauguração junto com o lançamento do livro da UPE”, adiantou a presidente da entidade, Elys Marina Violi. A FCC ressalta que esta é a primeira vez em ano que o Casarão tem um projeto consolidado de uso sistemático do prédio.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Paraná planeja abrir vias para municípios pobres

Governo tenta financiamento para obras em 460 quilômetros de estradas nas regiões do estado com baixo índice de desenvolvimento humano

O governo do Paraná bate à porta do Banco Inter­­americano de Desen­vol­vimento (BID), negociando empréstimo para tirar do papel um projeto logístico que prevê obras ao longo 460 quilômetros de 14 estradas estaduais. Orçado em US$ 680 milhões (R$ 1,482 bilhão), o programa prevê a ampliação e melhorias na malha rodoviária de regiões que concentram cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A partir disso, espera-se estimular esses municípios e minimizar a pobreza.
O projeto – Programa Estratégico de Infraestrutura e Logística de Transportes – prevê a pavimentação de 140 quilômetros de estradas, ligando pequenos municípios a rodovias estaduais. O alvo desta parte do projeto são regiões menos desenvolvidas, principalmente no Centro-Sul e Vale da Ribeira.

Essa infraestrutura permitiria a recuperação do IDH dessas regiões. É fundamental para amenizar a miséria e a fome desses bolsões”, analisou o economista Lafaiete Neves, especialista em transporte.
Inclui-se nesta etapa o asfaltamento da PR-092, entre Cerro Azul e Doutor Ulysses – município com o pior IDH do Paraná. A obra é uma reivindicação histórica dos moradores, que atribuem o atraso ao isolamento geográfico. Também estão previstas a pavimentação do acesso ao Porto de Antonina – a PRC-101 –, além de trechos de estradas em São Mateus do Sul, Coronel Domingos Soares, Reserva do Iguaçu e Mato Rico, considerados bolsões de pobreza do estado.
O programa também deve duplicar 150 quilômetros e restaurar 170 quilômetros de rodovias. Nestas etapas, encontram-se melhorias no eixo rodoviário – PR-466 – que liga Guarapuava a Mauá da Serra, alavancando o desenvolvimento de pequenos municípios às margens da estrada.
“Aquele setor é um vazio, marcado por pequenas cidades, em uma região pobre, de poucos acessos rodoviários. Essa integração deve beneficiar a área como um todo”, disse o conselheiro de infraestrutura da Federação das Indústrias do Paraná, João Arthur Mohr. “O desenvolvimento vem pela estrada. Se não tem estrada, não tem desenvolvimento”, resumiu.
Integração
De acordo com o projeto, o objetivo é integrar as estradas que serão pavimentadas ou que passarão por melhorias à rede rodoviária – estradas estaduais e federais. O Paraná também pretende implantar cinco centros logísticos, com estruturas de apoio para usuários, posto de armazenagem e desembaraços alfandegários.
O economista Lafaiete Neves, no entanto, ressalta que a integração pode ficar ameaçada se o estado não rever o preço da tarifa nas rodovias pedagiadas. “Não adianta essa estrutura, se continuar onerando os preços dos pedágios. Não é este modelo que se vê em regiões de expansão do agronegócio, por exemplo, como Mato Grosso e Amazônia Legal”, mencionou.

Eixos
Programa pretende reforçar a ligação entre Paraná e São Paulo
No Norte e Noroeste do estado, o governo pretende impulsionar o desenvolvimento das regiões por meio de melhorias em eixos rodoviários que ligam o Paraná ao estado de São Paulo. O programa vai privilegiar três eixos, por meio do qual poderá escoar a produção ao estado vizinho. Os trechos ficarão integrados a rodovias federais, otimizando a malha. O maior segmento é o da PR-317, que liga Maringá a Santo Inácio, em direção a São Paulo. Os outros eixos são a PR-170 (entre Cambé e Porecatu) e a PR-182 (de Nova Londrina a Diamante do Norte). O consultor da Fiep, João Arthur Mohr, destaca que as obras seriam importantes, sobretudo porque São Paulo é o principal mercado consumidor dos produtos paranaenses. “Com esse fluxo, criaríamos uma logística rodoviária focada em produtos de maior valor agregado para um grande mercado consumidor, que é São Paulo. Essas rodovias vão facilitar o acesso, e isso é desenvolvimento para as regiões”, apontou. De acordo com os especialistas, a ampliação dos eixos de acesso a São Paulo traria mais alternativas de fluxo da produção do estado, hoje focado na BR-116. Com a pavimentação do trecho entre Cerro Azul e Doutor Ulysses, o Paraná poderia criar ainda outra possibilidade, ligando-se ao Sudoeste de São Paulo, via Sengés.
Sem resposta
A reportagem encaminhou à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seil), responsável pelo projeto, uma série de questões para detalhar o programa. Entre elas, estavam perguntas sobre as negociações com o BID e as contrapartidas do estado. A Seil, no entanto, não conseguiu responder ou se manifestar, porque seus diretores estavam em reunião ou não puderam ser localizados pela assessoria de imprensa do órgão.